Canto do Quarto

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# Ouça:
-Beethoven
-Cold Blood
-Joelho de Porco
-Arrigo Barnabé
-Arnaldo Baptista
-Novos Baianos
-Count Basie
-John Coltrane
-King Crimson
-Rumo
-Schoenberg
-Rachmaninoff

# Leia:
-Rubem Fonseca
-García Lorca
-Hilda Hilst
-Herman Melville
-Garcia Marquez
-John Fante
-Shakespeare
-Bukowski
-Bruno e Little Dee
-Mafalda
-Herman Hesse

# Assista:
-Woody Allen
-Filmes com roteiro do Charlie Kaufman
-Monty Python
-Hitchcock

#Eu Quero:
-Mitologia Grega v1, v2, v3
-DVD Star Wars Trilogia
-Um afinador
-Afinação do Mundo


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sexta-feira, maio 10, 2002
 
With a Little Help from my friends:
"ei, cuzão, sobre aquelas de sentimento de culpa, não se importe com isso.
muitas vezes ele é injusto. às vezes é inevítável ferir o egoísmo de alguém que vai lhe cobrar um erro que na verdade não existe, que é escravização. o sentimento de culpa deveria partir nesses momentos da pessoa que impõe essas cobranças, essa carranca vingativa. mande-os se foder, meu caro. não potencialize o erro. em suma: para de ser maricas que as bucetas um dia vão envelhecer, seu pau um dia vai murchar e vc, e elas, vão ficar velhos e fodidos. aproveita enquanto pode."

Você não precisa ver alguém todos os dias para ele ser um dos seus melhores amigos.
Valeu.

escrevi isso pelas 5:57 PM

 
Réquiens.

Todo escritor que se preza escreve um.
Eu passo - prefiro falar sobre a vida.
À morte, que se reserve a própria, que se reserve o segredo: deixe no domínio da fé.
Não mate seus sonhos fácil assim.

Se é um sonho, sempre vale e pode ser sonhado, resonhado e reinterpretado. Vivemos o sonho.

No momento, estou passando pelo processo de sentimento de culpa. Percebo que está mais fraco. Mas ainda envolve muitos perdões de pessoas que amo. Enquanto elas não me derem este aval, fico sob o jugo de suas carrancas, às quais me submeti.

Perdoem-me.

escrevi isso pelas 12:50 PM

quinta-feira, maio 09, 2002

 
Desventuras em Bendyno-doh e outras histórias

Um radiante garoto na faixa de Gaza. Iran. Nasceu enquanto sua tia abortava de seu irmão. Era filho de uma palestina que fora estuprada, junto com a irmã, por uma legião de soldados israelenses - e alguns palestinos também. Por isso, sempre considerou Caim seu irmão.

A vida tratou bem Iran, filho de Fatima (sem acento). Ele cresceu forte graças a rações roubadas, graças à vontade de Alá e graças ao bom humor de tropas da ONU e israelenses que permitiam que ele vivesse por ali, entre a soldadesca, o que sempre rendia restos de comida e material dos pelotões. Iran não tinha pai, então trabalhava e cuidava de sua mãe e tia. Ele tinha 15 anos quando entendeu que Arafat seria caçado pelas tropas israelenses até o fim.

Pouco entendia ou fazia questão de entender as questões árabe-israelenses. Mas isso não impediu que um ataque mal-sucedido ao quartel hebraico destruísse sua casa e matasse seus familiares. Nem impediu que ele explodisse seu próprio corpo em retaliação. Não sabia para o que viver, mais. Morreu virgem, e sem nunca ter limpado sequer um dia a areia dos pés. E os jornais lhe deram o glorioso nome de "guerreiro fanático", para os palestinos, virou um segundo Saladino.

A vida tratou bem Iran.

---*---

Uma triste garota no centro de São Paulo. Himilce. Nasceu de Aurélio e Cristina Santos, e contava 9 anos quando descobriu que Papai Noel não existia. Seu pai era um canalha: jamais dava gorjeta para entregadores de pizza, e sua mãe sofreu horrores quando os vizinhos descobriram.

A vida castigou Himilce. Seu nome lhe rendia zombarias diárias na escola. Sua adolescência foi ainda mais terrível. Apesar de deslumbrante, tinha uma terrível cicatriz na sola do pé, causada por uma concha enquanto caminhava pelas praias de Majorca. seu grande trauma foi aos 14 anos, a perda de sua virgindade, em um motel cinco estrelas. Suas amigas descobriram os detalhes e ela nunca mais foi a mesma. Havia sido a última da turma.

Sua juventude foi terrível. Vivia nos bares, se embriagando, dormindo com desconhecidos. Tentando esquecer. Ela conseguira. Agora, tentava esquecer que precisava esquecer. Esquecer era algo que fazia bem. Mas a tragédia de sua vida ainda estava por vir. Bateria o carro e, num ato de fúria e melancolia extremadas, sinergizadas pelo álcool e remédios, se jogaria no meio da rua, esperando ser socorrida, esperando um fio de luz de atenção alheia. Só não esperava que uma maciça picape cinza atravessasse a deserta rua, momentos depois, e nem a percebesse. A moça do prostíbulo ainda correria para ajudá-la, apenas para ouvir de seus lábios uma frase pendurada e natimorta: "não sei".

A vida castigou Himilce.

---*---

Para quem não entendeu:
A vida é uma chance de fazer alguma coisa. Aproveite.

escrevi isso pelas 4:27 PM

sexta-feira, maio 03, 2002

 
Estou de volta, após quase 15 dias.
Mas o problema é que não tenho nada para dizer. Ou não quero dizer, é claro, vocês vão pensar.
As duas alternativas são possíveis.
Agora, minha mente divaga por possibilidades imensas e diversas sobre o futuro.

E isso é bom e ruim, ao mesmo tempo.

Tenho algumas opções. Gostaria de entrar para a tal faculdade Santa Marcelina. Não só pelo curso de composição, é claro, mas pela energia do lugar, as expectativas, as pessoas interessadas em música. Pelo menos você sabe que quem cursa este tipo de faculdade deve estar realmente interessado em fazer isso da vida.

E isso é muito inspirador, para colocar de forma simples.

A outra opção seria o tal mestrado. Mas já pensou? Gastar uma grana, e ter que estudar muito, defender tese... será que é isso que eu deveria fazer agora? Mas não ia ser nada mal também, eu poderia dar aula em universidades, fazer um estudo legal sobre semiótica na música.

Bem, vamos ver o que eu mesmo permito que o "destino" me reserve.

escrevi isso pelas 2:26 PM